невдохновение и отчаяние (iii)

I’ve been feeling uninspired, lately.
Some days, you give up. Halfway through the afternoon, you realize your remaining chances of achieving anything particularly worthwhile are low, from a lack of something like (motivation/ energy/ bias towards action/ mental clarity/ drive), so you just give up on hope and effort, and just aim for your remaining waking hours to pass by without causing you much trouble, hoping you’ll fall asleep easily and early enough to wake up the following day with the energy to do whatever you’d given up on. It is a violent act: a deliberate murder, through neglect, of one of the irreplaceable components of your life, but one done with such a graceful and meek resignation that its inward cruelty seldom becomes apparent.
Lately I’ve been finding that more and more of my days are ending in this way, and that this insidious desistance, as I call it for self-amusement, has been happening earlier and earlier, with some particularly outlying ones occurring in the early stages of hyperglycemia-induced post-prandial stupor.
I wonder whether this trend will continue. Perhaps by Autumn I will be down to one single day of morning-to-evening activity a week, with the six remaining desistances coming up A.M.: maybe right after the morning check-in video meeting, as soon as we decide on what are the day’s tasks that I will not even attempt, or even right after waking up — an eye slightly opened and immediately closed to avoid the aggression of the entering sunlight, followed by a long wait for the cycle to repeat again.

Incidentally: all of the above is both a description of a real behaviour and an evocation of one of my favourite passages from La carte et le territoire:

Ce que je préfère, maintenant, c’est la fin du mois de décembre ; la nuit tombe à quatre heures. Alors je peux me mettre en pyjama, prendre mes somnifères et aller au lit avec une bouteille de vin et un livre. C’est comme cela que je vis, depuis des années. Le soleil se lève à neuf heures ; bon, le temps de se laver, de prendre des cafés, il est à peu près midi, il me reste quatre heures de jour à tenir, le plus souvent j’y parviens sans trop de dégâts. Mais au printemps c’est insupportable, les couchers de soleil sont interminables et magnifiques, c’est comme une espère de putain d’opéra, il y a sans cesse de nouvelles couleurs, de nouvelles lueurs, j’ai essayé une fois de rester ici tout le printemps et l’été et j’ai cru mourir, chaque soir j’étais au bord du suicide, avec cette nuit qui ne tombait jamais.

Would the former exist if I hadn’t been exposed to the latter? Maybe I’m just a victim of books. Like Don Quixote, in that book.

There were two occasions in my life in which I, for lack of a better phrase, “stopped being depressed”. Meaning, the ranges of moods I experienced before and after each of these had limited overlap: the lower end of the “before” range feeling thankfully unreachable in the “after” period, and a low-to-middling “after” mood comparing positively with a good “before” one.
In both cases, the change was triggered by my experiencing an extraordinarily intense happiness, beyond my previously existing range of moods — and the experience of this intensity, the subconscious knowledge that such a feeling is possible, somehow inevitably affected all future experiences, pushed them upwards in this newly opened mood-range space. The two occasions were: in 2012 in Barcelona, repeatedly listening to Arctic Monkeys’ first album Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not and going to bike messenger parties; in 2016 in Madrid, taking MDMA and walking around parks listening to Boards of Canada.
Now I essentially don’t feel depressed anymore: more like permanently listless, resignedly accepting my inability to do, which I’m not sure is better — at least the deep overwhelming anguish I almost constantly felt was sometimes motivating, I suppose.

com outras cores, menos menores ou algo assim

Imagem

If you’re ever considering following a band on tour for a couple of days, sleeping in hostels and taking trains between cities, sore all over by the time of the last concert but still jumping around more than anyone else there, I highly recommend it. Whether they repeatedly have you over at their table for chatting/ beer/ shots or not.

Ganso
19/05/22 — Aveiro (Avenida CC)
20/05/22 — Braga (CC RUM)
21/05/22 — Porto (Ferro Bar)

locais — esquina da Bica

Quem descer pela Bica Pequena acompanhando o percurso do Ascensor — mas precavendo o risco de uma escorregadela altamente consequente (dada a inclinação) preferindo tomar os degraus laterais — chega a um ponto em que deixa de poder seguir em frente, já que a calçada termina na estação do mesmo e deixa de ter serventia pública. É o Largo de Santo Antoninho. Se virar à esquerda para a Travessa da Bica Grande e logo à direita para a Calçada homónima, poderá descer o troço final dessa longa escadaria, tentando distinguir o ronronar subterrâneo do cabo do Ascensor que circula paralelo a menos de meia dúzia de metros.

Chegando à Rua de São Paulo, pode ver, se olhar para cima e para a esquerda, uma estátua do santo (o franciscano lisboeta, não o apóstolo epistolar — por enquanto), num bonito nicho com decorações de estilo neomanuelino. Outro aspeto desta esquina merece um reparo: um discreto chanfro (na gravura, olhe-se para baixo a partir do nicho vazio) na pedra recorta a esquina do edifício, desde o solo até à altura de uma pessoa. Talvez se possa imaginar que tenha uma função dupla: serve o passante apressado, ajudando-o a otimizar impercetivelmente a dobra da esquina (permitindo-lhe poupar energias para a subida vindoura?); serve o flâneur, capturando-lhe a atenção e dirigindo-lhe o olhar para cima, permitindo-lhe assim reparar na estátua que talvez lhe tivesse escapado.

Neste ponto, quem tiver feito o citado percurso estará sob dois efeitos complementares, um mecânico-circulatório e outro estético-exaltatório. Por um lado, como se sabe, a descida de uma longa escadaria, com o esforço exigido aos quadríceps para a absorção do peso do corpo nas passadas, resulta numa movimentação de sangue até aos membros inferiores que, não raramente, tem o efeito secundário de irrigar e invigorar as partes pudendas. Junte-se a isso os sentimentos que podem provocar a descoberta e contemplação do chanfro e da estátua — surpresa, satisfação estética, gratidão por poder apreciar o resultado do esforço longínquo de escultores e operários esquecidos, anseio pela pertença e união que o Santo e o Menino demonstram um pelo outro — e torna-se quase inevitável que, se se tratar de um casal quem chegue até aqui, os seus membros sintam um pelo outro um desejo que idealmente se sublimaria numa união transcendente e incorpórea mas para o qual um roçanço rápido mas frenético pode servir perfeitamente dadas as circunstâncias.

Incrivelmente, este mesmo prédio, qual Gesamtkunstwerk arquitetónico, oferece resposta aos impulsos para os quais contribuiu. A primeira porta após contornar a esquina — o nº 216 da Rua de São Paulo — encontra-se quase sempre aberta, proporcionando ao casal um espaço conveniente e apelativo (penumbroso, raramente frequentado, mas com barulho de carros e elétricos e turistas a reforçar constantemente a excitação da ilicitude) para satisfazer os seus desejos, e distraí-los pelo menos o suficiente para que possam continuar com os seus passeios.

Se assim fizerem, podem prosseguir pela Rua de São Paulo umas centenas de metros até chegar ao Largo do mesmo nome. É natural que se queiram ater a contemplar a respetiva Igreja, reconstruída após o terramoto de 1755, de cuja fachada diz a Câmara Municipal de Lisboa que é rasgada por “três portais (…): o central, de maiores dimensões, é rematado por frontão curvo quebrado em cujo tímpano se inscreve um medalhão escultórico tendo por tema ‘A Conversão de S. Paulo’, enquanto que os laterais encontram-se sobrepujados por áticas curvas encimadas por nichos que acolhem as estátuas pétreas de S. Pedro e de S. Paulo”. No entanto, o Largo, amplo e luminoso, não está desprovido de relevância turística, já que — recorde-se — é uma das localizações lisboetas onde foi filmado o videoclipe da música Boiler, dos Limp Bizkit; é aqui que o Fred Durst vai a uma rulote chamada “Bolacha Mole” para comer um hambúrguer mas o hambúrguer tem vermes dentro.

Protegido:

Aparte

Este conteúdo está protegido com uma palavra-passe. Para o visualizar, por favor, insira em baixo a sua palavra-passe:

Posted on by | Insira a sua palavra-passe para ver os comentários.

dúvida

Aparte

Se uma pessoa, homem ou mulher, estiver deprimida, mas arranjar um amante sul-americano intenso e viril, e o sexo com esse amante for tão incrível e prazenteiro que a pessoa deixe de estar deprimida e volte ao normal, pode dizer-se que essa pessoa melhorou paulatinamente?

Alinhamento Ganso @ Musicbox, 26/03/22

  1. Lá Maluco
  2. Conversas Repetidas + O Que Há Por Cá
  3. Sono, Leva-me Longe
  4. Grilo do Nilo + Quando a Maldita
  5. Idalina
  6. Não Tarda
  7. Intro + O Teu Riso
  8. Gino (O menino Bolha)
  9. Não Te Aborreças
  10. Pistoleira
    (encore)
  11. Os Meus Vizinhos
  12. Sorte a minha

Há um par de meses, da última vez que vim a Lisboa, aconteceu-me uma coisa bizarra junto à estação de Entrecampos, que é onde me costumam acontecer coisas bizarras (diferentes umas das outras e com isso conseguindo manter a bizarria).
Estava na Avenida da República, no passeio no sentido Entrecampos – Saldanha, quando passam a pedalar na ciclovia um homem de uns 30 anos, grande e corpulento e com cabelo preto e, atrás dele, um rapaz de 4-5. A ciclovia fica entre as faixas lateral e central da avenida: ou seja, quando passam a meu lado fazem-no a uns 10m de onde estou. Tenho a impressão de reconhecer o homem, embora tão vagamente que pode ser engano — mas ele, quando me vê, vira-se, e grita “Eduardo!”. A criança, curiosa, vira-se também para olhar para mim durante um segundo, não vendo que há uma interrupção na ciclovia que durante uns metros dá lugar a passeio, e que na transição entre as duas superfícies há uma pequena irregularidade. Ao passar por ela, desequilibra-se e anda aos esses durante um par de metros, parecendo por um instante perigosamente perto de cair, mas lá recupera o controlo e segue o seu caminho atrás do adulto.
Fico aliviado por não ter provocado (ainda que muito indiretamente) a queda duma criança, mas sobretudo confuso por não saber quem é aquele homem que pareceu ter gritado o meu nome tão espontaneamente. Nisto, tenho um momento de clareza. “Ah, já sei quem é! É o Manuel Palha, guitarrista dos Capitão Fausto!” Pausa. “Não, espera, o guitarrista dos Capitão Fausto não me conhece de lado nenhum, só eu é que o conheço a ele, que estupidez,” e continuo sem saber quem era.

Ontem lembrei-me disto porque no concerto dos Ganso (no top 10 das noites da minha vida que não envolveram sexo e/ou drogas) o Domingos Coimbra, baixista dos Capitão Fausto, fez abundante crowdsurfing por cima de mim, e sinto-me satisfeito com o esforço que fiz para o manter no alto, porque não estava a ver as pessoas que me rodeavam (que pareciam ser sobretudo adolescentes franzinas) a conseguir aguentá-lo sozinhas — tanto que ele me soltou um “obrigado” quando nos cruzámos no fim do concerto.

TEMA PARA REDAÇÃO
Segundo o padrão que parece estar a formar-se, da próxima vez que eu vier a Lisboa, vou ter uma interação com alguém que parece ser um membro dos Capitão Fausto mas que não o é (e da seguinte, que é realmente, etc.).
(Possíveis exemplos: vou ter uma reunião numa seguradora com um analista de modelos de risco que parece o vocalista Tomás Wallenstein, ou vou ser assaltado na Meia Laranja por um drogado que parece o teclista Francisco Ferreira, ou vou visitar o Reservatório da Mãe d’Água das Amoreiras, como parte do meu roteiro pelas localizações lisboetas onde foi filmado o videoclipe da música Boiler, dos Limp Bizkit, e quem vai estar a fazer visitas guiadas é um homem que parece o baterista Salvador Seabra mas é na verdade oriundo do interior do estado de São Paulo, e aí eu vou comentar que é curioso porque outra das localizações lisboetas onde foi filmado o videoclipe da música Boiler, dos Limp Bizkit, é a Praça de São Paulo (onde o Fred Durst vai a uma rulote chamada “Bolacha Mole” para comer um hambúrguer mas o hambúrguer tem vermes dentro), e achamos graça à coincidência hagiotoponímica e tornamo-nos amigos e cantamos juntos a canção Lamento Sertanejo de Gilberto Gil.)
Imagine e descreva a cena, em 500 palavras.

Blog posts that influenced my thinking

Paul Graham — What You Can’t Say (04)
The Last Psychiatrist — What Was The Matrix? (09)
Sam Harris — The Fireplace Delusion (12)
The Last Psychiatrist — Amy Schumer Offers You A Look Into Your Soul (12)
The Last Psychiatrist — No Self-Respecting Woman Would Go Out Without Make Up (13)
Slate Star Codex — Who By Very Slow Decay (13)
Slate Star Codex — Asches to Asches (14)
Slate Star Codex — Archipelago and Atomic Communitarianism (14)
Slate Star Codex — Things That Sometimes Help If You Have Depression (14)
Slate Star Codex — Social Justice And Words, Words, Words (14)
Slate Star Codex — Meditations on Moloch (14)
Slate Star Codex — All In All, Another Brick In The Motte (14)
Hotel Concierge — We need to sing about mental health. (15)
Slate Star Codex — Universal Love, Said The Cactus Person (15)
Slate Star Codex — Against Tulip Subsidies (15)
Almost No One is Evil. Almost Everything is Broken. — The Copenhagen Interpretation of Ethics (15)
Slate Star Codex — Book Review: Seeing Like A State (17)
Freddie deBoer — Planet of Cops (17)
Slate Star Codex — Book Review: Surfing Uncertainty (17)
Alexey Guzey — Why You Should Start a Blog Right Now (19)
Freddie deBoer — the only way to save reading is by reading (20)
Culture Study — The Errand Friend (21)
Astral Codex Ten — WebMD, And The Tragedy Of Legible Expertise (21)

Embrace transience accelerationism?

Someone I was once very close to recently deleted their IG account and, with it, most pictures of me that exist “in public”. I’m divided about this. Slightly sad at seeing records of a younger self and happy times disappear, but mostly actually liking it, wanting to take on some sort of transience accelerationism — delete it all, embrace impermanence, dive into the traceless existence I’m currently merely floating around. But another but — I’m always hedging against my own instincts: call it impulsive contrarianism, or maybe built-in memetic vigilance. And self-erasure isn’t a bold step forward — it’s the easy way out, a defense against the boring job of change and reconstruction. So, –

No fa falta…

… anar a la Quebrantahuesos, tots dopats, i ples de oli, i pastilles, i potingos. Ací, açò que veieu ací, açò no es Suïssa. Açò es el Mondúber, MAMARRACHOS. I això que n’hi ha ahí no es el Monte Calvario, això es la rampa que falta pa arribar dalt… hen? Tan de potingo i tanta preparació i tan de preparaor personal… vi, cansalà, botifarres, i collons per pujar ací. No en vec a ningun de vosaltros per ací.. hen? Això d’allà baix es la Drova. No, no son els salons eixos que aneu vosaltros allí a mirar-se a l’espill. Ací, ací, ací no en vec a cap, tots molt de que i pujo jo i molta bicicleta i molt de romans.. vingau ací, vingau.. i voreu.. en la manguera del gas, quan jo vos donaré malícsia pa pujar