Co-pilotagem

Numa viagem de carro, o co-piloto tem três funções essenciais, que se listam de seguida.

Orientação: o co-piloto deve saber indicar ao piloto a via a seguir; se a viagem foi planeada com antecedência, é ele que deve ter, na véspera, procurado informar-se sobre o caminho a tomar, tomando notas se necessário. Pode juntar-se a esta função a de auxílio à condução: em cruzamentos onde há veículos que vêm de ambos os lados, o co-piloto deve ser responsável por indicar ao piloto se há veículos a vir da direita; se há várias placas de sinalização, cabe-lhe lê-las, permitindo ao piloto concentrar-se na estrada; deve também assinalar-lhe eventos como o fim da via de circulação, a presença dum veículo cujo condutor pareça desatento e potencialmente perigoso, etc.

Música: o co-piloto é responsável pela música. Não é um requisito implícito que prepare antecipadamente música para a viagem, mas deve operar o rádio e/ou o telemóvel, consoante a fonte preferida. É de salientar que a escolha da música pertence ao piloto, devendo o co-piloto tocar as faixas pedidas por ele, ou sugerindo outras hipóteses viáveis, sempre sujeitas ao veto do piloto.

Telemóvel: como o piloto está, obviamente, impedido de utilizar o seu telemóvel enquanto conduz, o co-piloto deve atender chamadas, ler e responder a mensagens, etc. Estando envolvidas questões de privacidade e identidade respetivamente, é de importância capital que o piloto dê o seu consentimento antes da leitura e envio de qualquer mensagem escrita, assim como do atendimento de qualquer chamada.

No entanto, cada uma das funções depende, evidentemente, da aprovação do condutor, que:
– tem poder de veto sobre a música escolhida pelo co-piloto;
– lhe autoriza e indica as comunicações por telemóvel;
– pode recusar-se a seguir as indicações do co-piloto, assumindo assim a responsabilidade da orientação.

Sobretudo, e a montante, o condutor pode escolher quem quer que seja o co-piloto, recaindo assim sobre si as consequências eventuais da impreparação deste. Sugere-se, portanto, que seja o viajante cuja personalidade se adeque mais à tarefa de co-piloto, com o consentimento do condutor, a assumir essa tarefa, podendo eventualmente preparar-se previamente para ela, em caso de viagem mais longa ou por vias pouco conhecidas do condutor. Algumas características a ter em conta são:
– capacidade de concentração ao longo de toda a viagem – um excelente co-piloto é inútil se não estiver acordado;
– bom sentido de orientação, vista apurada e capacidade de processamento da informação percebida;
– gosto musical relativamente alinhado com o do condutor, mas aceitação da inferioridade hierárquica, em caso de eventuais divergências.

Posto isto, então e neste Verão, vai-se a qualquer lado?

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3 thoughts on “Co-pilotagem

  1. Apoiado. Excepto num ponto. Quando é para avançar num cruzamento, não aceito que parte da responsabilidade fique nos ombros do co-piloto relativamente a ver quem vem da direita. Quem está ao volante é quem tem a vida dos passageiros nas mãos e acho que tem sempre de garantir se é seguro. Pelo menos eu olho sempre mesmo que me digam que posso ir.

    • Mesmo quando é a V.?
      Sim, tens razão: acho justificadíssimo que um condutor queira ter sempre uma confirmação; afinal de contas, em última análise, a responsabilidade — moral, legal — é sua. Mas ter essa fonte de informação quando se está parado no cruzamento ajuda sempre, acho eu, quanto mais não seja para o condutor não ter de andar a rodar o pescoço dez vezes para cada lado.

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