Cerejas

Perdi o trem das onze. Espero pelo seguinte comendo cerejas sujas na estação. Sabem a ti.

Sinto nos pés a dor aguda das horas que andámos juntos; no braço a impressão suave do teu último toque quando nos despedimos.

Pára-me quando começo a dizer merdas, por favor.

Desfaço as cerejas entre a língua e os dentes; a carne delas explode-me na boca em sabores intensos com evocações longínquas.

Como-as uma a uma, duas a três, uma mão-cheia. Não me saciam da tua partida.

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