Sou areia estéril…

Sou areia estéril na verdura da vida,
Substrato de nada, pasta inerte; dependo
Da tenaz doçura que me tens prometida,
Fugaz fogacho com que me avivo e acendo.

Não sirvo a ninguém, não estimulo, não provoco
Um impulso, um alento, o mais breve arremedo:
Vou vivendo, aborrecendo, por aí vogo
Por fora lata inútil, por dentro frio penedo.

Sou sem interesse, chato, neutro, banal,
Enfadonho, maçador, fastidioso;
E até descrevendo a extensão do meu mal

Respondo como sou, cobarde e dengoso,
Recorrendo sempre ao adjetivo odioso
Que há muito terás adivinhado: “normal”.

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