WOOM

(Thanks to M. for naming this phenomenon.)

WOOM is the sound you hear when the muscles deep within the back of your neck tighten up. I’m not sure if the sound comes from those muscles themselves, or if they are somehow pulling on your inner ears and that’s what’s generating it, but whatever it is is perceived as a WOOM sound.
It is associated (in my case at least) with a very pleasurable sensation, like something is caressing your neck from within — and the muscle tightness feels like a faint but satisfying espreguiçadela.
I’m able to generate a mild version of it at-will, whenever I want (possibly requiring some tiredness?), and a stronger version by tilting my head backwards until the main neck muscles are fully engaged. The two versions feel different — a bit like the difference between this track (loud!) at 0:40 and at 4:00.
Alcohol, at low doses, is a common trigger for woom — a combination of the relaxation and the openness to enjoyment. I once took too much MDMA, which gave me low-threshold-for-woom for several hours, and then for a few days afterwards I would get woom uncontrollably for a few seconds whenever I slightly closed my eyes (which happened frequently, since I was having a 2-day training on Microsoft Azure). Because I’m a catastrophist, I immediately thought that it would never go away, which I found worrying but also funny, in the context of my varied dysfunctions.
(Also: is this what ASMR is? I tried it but found the whispering women too unsettling.)

On the topic of weird sensations: these are two songs that induce mild derealization in me, as in, glitch-in-the-matrix I genuinely find it hard to accept that they actually exist:
Another Sunny Day — You Should All Be Murdered: how something I’d never heard can sound so familiar; how the song that sounds most like The Smiths is actually by someone else.
Almôndegas — Androginismo: how someone wrote those INSANE lyrics.

com outras cores, menos menores ou algo assim

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If you’re ever considering following a band on tour for a couple of days, sleeping in hostels and taking trains between cities, sore all over by the time of the last concert but still jumping around more than anyone else there, I highly recommend it. Whether they repeatedly have you over at their table for chatting/ beer/ shots or not.

Ganso
19/05/22 — Aveiro (Avenida CC)
20/05/22 — Braga (CC RUM)
21/05/22 — Porto (Ferro Bar)

Alinhamento Ganso @ Musicbox, 26/03/22

  1. Lá Maluco
  2. Conversas Repetidas + O Que Há Por Cá
  3. Sono, Leva-me Longe
  4. Grilo do Nilo + Quando a Maldita
  5. Idalina
  6. Não Tarda
  7. Intro + O Teu Riso
  8. Gino (O menino Bolha)
  9. Não Te Aborreças
  10. Pistoleira
    (encore)
  11. Os Meus Vizinhos
  12. Sorte a minha

Há um par de meses, da última vez que vim a Lisboa, aconteceu-me uma coisa bizarra junto à estação de Entrecampos, que é onde me costumam acontecer coisas bizarras (diferentes umas das outras e com isso conseguindo manter a bizarria).
Estava na Avenida da República, no passeio no sentido Entrecampos – Saldanha, quando passam a pedalar na ciclovia um homem de uns 30 anos, grande e corpulento e com cabelo preto e, atrás dele, um rapaz de 4-5. A ciclovia fica entre as faixas lateral e central da avenida: ou seja, quando passam a meu lado fazem-no a uns 10m de onde estou. Tenho a impressão de reconhecer o homem, embora tão vagamente que pode ser engano — mas ele, quando me vê, vira-se, e grita “Eduardo!”. A criança, curiosa, vira-se também para olhar para mim durante um segundo, não vendo que há uma interrupção na ciclovia que durante uns metros dá lugar a passeio, e que na transição entre as duas superfícies há uma pequena irregularidade. Ao passar por ela, desequilibra-se e anda aos esses durante um par de metros, parecendo por um instante perigosamente perto de cair, mas lá recupera o controlo e segue o seu caminho atrás do adulto.
Fico aliviado por não ter provocado (ainda que muito indiretamente) a queda duma criança, mas sobretudo confuso por não saber quem é aquele homem que pareceu ter gritado o meu nome tão espontaneamente. Nisto, tenho um momento de clareza. “Ah, já sei quem é! É o Manuel Palha, guitarrista dos Capitão Fausto!” Pausa. “Não, espera, o guitarrista dos Capitão Fausto não me conhece de lado nenhum, só eu é que o conheço a ele, que estupidez,” e continuo sem saber quem era.

Ontem lembrei-me disto porque no concerto dos Ganso (no top 10 das noites da minha vida que não envolveram sexo e/ou drogas) o Domingos Coimbra, baixista dos Capitão Fausto, fez abundante crowdsurfing por cima de mim, e sinto-me satisfeito com o esforço que fiz para o manter no alto, porque não estava a ver as pessoas que me rodeavam (que pareciam ser sobretudo adolescentes franzinas) a conseguir aguentá-lo sozinhas — tanto que ele me soltou um “obrigado” quando nos cruzámos no fim do concerto.

TEMA PARA REDAÇÃO
Segundo o padrão que parece estar a formar-se, da próxima vez que eu vier a Lisboa, vou ter uma interação com alguém que parece ser um membro dos Capitão Fausto mas que não o é (e da seguinte, que é realmente, etc.).
(Possíveis exemplos: vou ter uma reunião numa seguradora com um analista de modelos de risco que parece o vocalista Tomás Wallenstein, ou vou ser assaltado na Meia Laranja por um drogado que parece o teclista Francisco Ferreira, ou vou visitar o Reservatório da Mãe d’Água das Amoreiras, como parte do meu roteiro pelas localizações lisboetas onde foi filmado o videoclipe da música Boiler, dos Limp Bizkit, e quem vai estar a fazer visitas guiadas é um homem que parece o baterista Salvador Seabra mas é na verdade oriundo do interior do estado de São Paulo, e aí eu vou comentar que é curioso porque outra das localizações lisboetas onde foi filmado o videoclipe da música Boiler, dos Limp Bizkit, é a Praça de São Paulo (onde o Fred Durst vai a uma rulote chamada “Bolacha Mole” para comer um hambúrguer mas o hambúrguer tem vermes dentro), e achamos graça à coincidência hagiotoponímica e tornamo-nos amigos e cantamos juntos a canção Lamento Sertanejo de Gilberto Gil.)
Imagine e descreva a cena, em 500 palavras.

Os meus álbuns preferidos

Original list from 2013; constantly updated since. Listening to music, especially from the list below, is an important activity for me, and a lot of what I am today comes from it; I’ll be very glad if anyone can get as much as I did from any of these works.

The Dave Brubeck Quartet — Time Out (59)
Stan Getz & João Gilberto — Getz/Gilberto (64)
King Crimson — In the Court of the Crimson King (69)
Happy End — Kazemachi Roman (71)
Novos Baianos — Acabou Chorare (72)
Pink Floyd — The Dark Side of the Moon (73)
Electric Light Orchestra — Eldorado (74)
Pink Floyd — Wish You Were Here (75)
Penguin Cafe Orchestra — Music from the Penguin Cafe (76)
Ryo Fukui — Scenery (76)
Metallica — Ride the Lightning (84)
Guns N’ Roses — Appetite for Destruction (87)
Talk Talk — Spirit of Eden (88)
Megadeth — Rust in Peace (90)
The KLF — Chill Out (90)
Jorge Palma — Só (91)
Rage Against the Machine — Rage Against the Machine (92)
Morphine — Cure for Pain (93)
Smashing Pumpkins — Siamese Dream (93)
Autechre — Amber (94)
Kyuss — Welcome to Sky Valley (94)
Aphex Twin — Richard D. James Album (96)
Boards of Canada — Old Tunes Vol. 2 (96)
Godspeed You Black Emperor! — F♯ A♯ ∞ (97)
Ornatos Violeta — Cão! (97)
Radiohead — OK Computer (97)
Rhapsody — Legendary Tales (97)
Air — Moon Safari (98)
Belle Chase Hotel — Fossanova (98)
Quasi — Featuring “Birds” (98)
Rhapsody — Symphony of Enchanted Lands (98)
Godspeed You Black Emperor! — Slow Riot for New Zerø Kanada (99)
Mr. Bungle — California (99)
Air — The Virgin Suicides (00)
Godspeed You Black Emperor! — Lift Your Skinny Fists Like Antennas to Heaven (00)
Radiohead — Kid A (00)
Rhapsody — Dawn of Victory (00)
Fennesz — Endless Summer (01)
set fire to flames — sings reign rebuilder (01)
Boards of Canada — Geogaddi (02)
Karate — Some Boots (02)
loscil — Submers (02)
Nobuo Uematsu — Piano Collections Final Fantasy X (02)
Quinteto Tati — Exílio (04)
Tim Hecker — Mirages (04)
Boards of Canada — The Campfire Headphase (05)
Venetian Snares — Rossz Csillag Alatt Született (05)
Arctic Monkeys — Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not (06)
Arctic Monkeys — Who the Fuck Are Arctic Monkeys? (06)
Arctic Monkeys — Favourite Worst Nightmare (07)
Deolinda — Canção ao Lado (08)
Arctic Monkeys — Humbug (09)
The xx — xx (09)
Arctic Monkeys — Suck It And See (11)
Capitão Fausto — Pesar o Sol (14)
Ganso — Não Tarda (19)

Honorable mentions: Ganso — Costela Ofendida; Ganso — Pá Pá Pá; Zarco — Zarcotráfico; Zarco — Spazutempo; Capitão Fausto — Gazela; Fausto — Por Este Rio Acima; Weyes Blood — Titanic Rising; Billie Eilish — WHEN WE ALL FALL ASLEEP, WHERE DO WE GO?; Cornelius — Fantasma; Mr. Herbert Quain — Forgetting is a Liability; Lana del Rey — Norman Fucking Rockwell!; Zero 7 — Simple Things; Karate — 595

Vergiss alles was ich dir sagte

These are the lyrics to a Portuguese song by Azembla’s Quartet that has both a Portuguese-language and a High-German-language version. The lyrics to the latter seem not to be online, so I tried to write them down myself, for whomever may find them useful. There could be a couple of mistakes in verses that I didn’t understand fully — corrections welcome.

Vergiss alles was ich dir sagte
Nimm meine Versprechen mit
Diese Liebe zu nähren hat keinen Sinn
Wenn doch dein Herz sie niemals wollte

Unser Heim hat keine Zukunft
Du willst mich nicht mehr im Alter
Hast den Schwur gebrochen, einen Mauer errichtet
Vergiss alles was ich dir sagte

Diese Tränen die ich weine
Sind voll der Anfang vom Ende
Ich bitte zum Himmel, Gott fleh’ ich an
Bringe den Mann der nicht liebe weit ganz weit fort weg von mir

Vergiss alles was ich sagte
Nimm meine Versprechen mit
Hast den Schwur gebrochen, einen Mauer errichtet
Vergiss alles was ich dir gesagt hab’

a vulgar beta digging my own hole

You’re at home, together with a woman you invited to spend the evening with you. Sitting on the sofa, facing each other. It’s your third date. Conversation flows effortlessly; you both laugh, smile. A few times already one of you has touched the other; at first seemingly by accident, by now more and more frequently and lastingly. Occasionally, in conversation, you come across one of those similarities in thought and perspective that makes one recognize a bit of oneself in another, and yearn for a physical realization of that proximity of minds.

You take a sip of your beer and listen to her voice over Boards of Canada’s Kid For Today. Goldfrapp’s Pilots will play next, if you’re recalling correctly the playlist you’ve put together for these occasions. You feel comfortable, confident, happy.

The last time you were in a similar situation, the evening ended early, and poorly. You and the woman had been kissing for some time when the doorbell unexpectedly rang. Even more unexpectedly, it was your farmer friend, who had shown up unexpectedly to offer you a piece of his latest harvest: a beet. He then left, but the sudden interruption and the disconcerting presence of the soil-covered beet had totally killed the mood. You and the woman vaguely chatted about root vegetables for a few minutes, then tried to resume from where you had left it, without much conviction or success; she went home a little later, leaving you there, aroused, alone (apart from the beet), and annoyed.

But everything is going well this time. Your stare catches hers while she talks, and you let it linger there for a while, until it becomes uncomfortable to keep doing so. Still then, you do not let it move away. She eventually finishes her sentence; you let the silence hang for another few seconds, adding to the tension. Only then do you put your hand on her shoulder, lean towards her, close your eyes, and…

*TRLULULULLUULULU*

The intercom. Again. Fuck.

You smile, apologize, and get up to go see who it is.

On the intercom screen is the smiling face of your farmer friend. Again. You grow suspicious. He then lifts a vaguely spherical object towards the camera. It seems to be… a beet?

Question: in this situation, would you say your friend is back with another one of those cock-blockin’ beets?

remolacha-mos

Estás em casa, com uma moça que convidaste para passar o serão contigo. Estão no terceiro encontro. A conversa flui continuamente; há risos, sorrisos, breves contactos físicos, ao início aparentemente causais, que se vão tornando cada vez mais frequentes e duradouros. Ocasionalmente, encontram uma daquelas semelhanças de atitudes e perspetivas que nos faz identificar algo de nós no outro e querer sublimar fisicamente essa proximidade de mentes.

As cervejas que vão bebendo e a playlist que já tens preparada para estas ocasiões descontraem-vos. Estás contente e confiante.

Da última vez em que estiveste na mesma situação, a noite acabou antes de tempo e numa desilusão. Quando já se estavam a beijar há algum tempo, tocou a campainha, inesperadamente. E, ainda mais inesperadamente, era o teu amigo agricultor! Vinha oferecer-te uma parte da sua mais recente colheita: uma beterraba. A súbita interrupção a desoras e o aparecimento súbito e desconcertante da beterraba (com terra agarrada, ainda por cima) cortaram-vos o ensejo de intimidade. Ficaram ali a conversar uns minutos sobre beterrabas; ainda tentaram retomar donde estavam, mas sem grande convicção nem resultados; ela acabou por se ir embora pouco depois.

Desta vez, está tudo a correr bem. Deixas um olhar nos olhos prolongar-se durante mais tempo do que o confortável. Ainda mais. Sentes a tensão sexual agudizar-se. Pões-lhe a mão junto ao ombro, inclinas-te para ela, fechas os olhos, e…

*TRLULULULLUULULU*

O intercomunicador. Outra vez. Foda-se.

Ris brevemente. Pedes desculpa. Levantas-te para ir ver quem é.

No ecrã, a cara alegre do teu amigo agricultor. Outra vez. Levanta um objeto vagamente esférico para a câmara. Parece ser… uma beterraba?

Pergunta: pode-se dizer que o teu amigo está back with another one of those cock-blockin’ beets?

Cerejas

Perdi o trem das onze. Espero pelo seguinte comendo cerejas sujas na estação. Sabem a ti.

Sinto nos pés a dor aguda das horas que andámos juntos; no braço a impressão suave do teu último toque quando nos despedimos.

Pára-me quando começo a dizer merdas, por favor.

Desfaço as cerejas entre a língua e os dentes; a carne delas explode-me na boca em sabores intensos com evocações longínquas.

Como-as uma a uma, duas a três, uma mão-cheia. Não me saciam da tua partida.

Hiperligação

Here’s hoping Scotland becomes independent and Boards of Canada are chosen to compose its anthem. I could say that they’ve broadened my understanding of what music can be, but even that would be reductive: with Geogaddi, they’ve broadened my understanding of what sound can be. They, and all their compatriots, deserve to flourish in a Tory-free country.

Spoken samples

        I like songs which include samples of bits of speech from other sources. In some cases, the samples are barely perceptible; in others, they help framing the song and its theme; in others still, they are its main component. It makes me feel like the song is facing outward, not inward; that it’s referencing, and connecting to, a certain real person or several real people in the real world, the world which we live in and which exists outside the song-world. It can feel a bit like cheating, of course: isn’t music supposed to be self-containing? to evoke and represent whatever it means to say, rather than to import it directly from reality? We’ve certainly gotten used to it being so, though we don’t have any issues with music samples: music referencing other music. I disagree, however: for me, music is not only important enough to encompass whatever it means to, but those samples help giving me a feeling of coexistence with the song: they bring it forth into the same world I inhabit. The young Scottish (one assumes) people’s voices scarcely buried amid Boards of Canada’s Turquoise Hexagon Sun, the news report of a teenager killed in a car crash in the middle of The KLF’s Madrugada Eterna, the crazed survivalist rants of the song’s namesake in Godspeed You! Black Emperor’s BBF3, are all so many tiny bits of our world that these three bands — the only such bands I know, actually — piece together and render into art and onto us.