Smrt cycklistům!

A cidade de Praga é famosa por ter uma rede de elétricos densa no centro e abrangente na periferia, o que a torna numa das cidades cujos habitantes mais utilizam este transporte público. Se, numa rua de Praga, se olhar para cima, é provável que se veja a entrecruzarem-se uma rede de catenárias; para baixo, de carris. Estes tornam a cidade perigosa para os ciclistas, particularmente nos cruzamentos, onde a densidade de carris que partem em diferentes direções requer bastante destreza para ser ultrapassada em segurança. Este facto ilustra uma curiosidade histórica interessante. Após a revolução de veludo, o novo regime checoslovaco pretendia apagar todos os sinais do comunismo, tendo a bicicleta sido nomeada como um dos alvos a abater. Por se temer que uma proibição gerasse descontentamento popular, decidiu-se implementar em Praga uma densa rede de elétricos, com dezenas de linhas que servissem praticamente toda a cidade. O plano, ambicioso, teve sucesso: no primeiro ano de implementação plena, morreram 637 ciclistas e 2019 ficaram permanentemente estropeados devido a quedas nos carris dos elétricos. Aquando da separação do país, em 92, poucos ciclistas sobreviviam, e hoje o rácio de bicicletas para SUVs na cidade é de aprox. 1 para 120. A contínua deposição de partículas emitidas pelos veículos a gasóleo sobre as paredes dos edifícios comunistas foi dando origem a uma tonalidade única de cinzento que a cidade patenteou em 2007, à semelhança do que fizera Yves Klein com os seus famosos quadros azuis.

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