and, per se, and

Sou um literal. Nunca uso expressões idiomáticas quando falo ou escrevo. Tenho algum apreço por aquelas mais rústicas, em particular pelas que envolvem nabos, nomeadamente “tirar nabos da púcara” e “querer sol na eira e chuva no nabal”; muito mais apreço do que pelo nabo em si, quer como alimento quer como metáfora para “pénis” (???).

Aliás, nunca gostei de metáforas: sempre achei as coisas são muito mais interessantes na sua essência do que como evocação ou símbolo de outras. Quão grotesco é reduzir um elefante, na sua maravilhosa complexidade, na sua inefável bizarria, a uma metáfora para “coisa grande”? Quão ofensivo para o elefante?

E quão ofensivo para o nosso interlocutor, que se vê forçado a replicar mentalmente a (nossa) associação de ideias subjacente à metáfora, e portanto a adotar as nossas referências conceptuais? Abaixo os metafóricos! parasitas da conotação! colonizadores semióticos de cérebros alheios!

(“parasitas”? “colonizadores”? tornei-me num deles?! aaaaaah!)

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